Arquivo de 16 de Março, 2009

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Ford Fiesta 1.2 2007

De novo num aluguer, tive oportunidade de testar um carro que já há algum tempo tinha curiosidade, mesmo não
sendo a (completamente) nova (e atraente) versão do Ford Fiesta.

ford_fiesta_255-1024
Foto: www.desktopmachine.com
(versão ST “pré-fecelift” – oxalá tivesse sido este… seria bem interessante)

A primeira coisa a destacar, especialmente depois da decepção do micra, é sem dúvida a robustez deste carro. Mesmo com as dimensões compactas que tem, é um conjunto que se sente ser sólido e muito bem construído (por dentro e por fora), não estivesse a Ford, na Europa, a seguir os pregaminhos dos alemães há alguns anos. Tem bom espaço atrás, mas a mala não é das maiores.

Este fiesta tem uma posição de condução estranha pois é um pouco alta e o volante está mais em cima do condutor do que o habitual (pelo menos em comparação com o que estou habituado), mas segue a famosa “máxima” de “primeiro estranha-se, depois entranha-se”, motivada pela excelente relação entre posição do banco, pedais, ângulo do volante e posição da manete de velocidades (um pouco mais alta também que o normal ao contrário da versão anterior a esta que em que era mesmo muito baixa). Só mudaria mesmo os bancos que não são nem do mais envolvente, nem confortável que existe nesta gama de carros… (se fosse o ST 🙂 )

fiesta

O motor 1.2 ZETEC é um meu velho conhecido. Fiz bastantes kilometros com este Fiesta de 1997, da altura em que este motor foi lançado e ainda conduzi algumas vezes dois outros dessa mesma geração.
A sua potência e elasticidade faziam com que, à data, arrasasse a concorrência em prestações, fazendo jogo igual, muitas vezes, com carros com mais potência e cilindrada. Mas está diferente. Certamente com algumas evoluções e alterações, tanto a nível de electrónica como da relação de caixa transformaram a potência pura, pela qual era necessário puxar, em muito binário e disponibilidade (noto bem a diferença) a baixos regimes, em favor da redução de emissões e diminuição dos consumos, tanto por obrigatoriedade legal, como também pelo dramático aumento do preço dos combustíveis nos últimos anos.
Infelizmente, aquele motor que era uma pequena bomba, agora anda claramente menos que o Micra que já aqui falei e também que o clio III (que também recentemente tive oportunidade de testar novamente depois de uma curta experiência há algum tempo, edesta vez achei que andava muito bem) sem que os consumos tenham descido radicalmente.
Eu não ando propriamente devagar, até é verdade, mas com o mesmo condutor que o micra, fazendo praticamente o mesmo trajecto e kilometragem fez 7,3l/100Km e pelo que vi, se não tivesse tido alguns cuidados tinha facilmente sido mais (recordo que o micra fez facilmente 6,5 sem nenhum cuidado com consumos…).

Para o fim, fica o melhor. O Fiesta é um carro para o condutor. A direcção é super-precisa e sente-se o que está a acontecer, o chassis muito equilibrado, acutilante, pois vira sem hesitação ou perdas de tracção e divertido até (o quanto pode ser num carro pequeno de tracção à frente), sendo possível, quando se provoca, obter alguma sobreviragem ao “levantar o pé” em curva.
A única coisa que se pode apontar em termos dinâmicos é alguma trepidação por não ter muito apoio aerodinâmico, mas só a velocidades bem para lá do que se pode/deve andar… (penso que não só por causa do tamanho pequeno e desenho do carro, mas também por causa da sua altura ao solo, pois a verdade é que apesar de ter um chassis exemplar, essa característica não é forçada por ter “molas baixas” ou suspensão demasiado firme.)

A evolução da geração que eu conhecia para esta foi grande, perdendo alguma coisa em conforto e performance pura, mas ganhando em habitabilidade (apesar de tudo) e dinâmica. Em geral gostei muito e fiquei com muita curiosidade de experimentar o novo Fiesta, pois se o “salto” for semelhante, penso que será um carro mesmo muito bom.