Arquivo de 15 de Abril, 2007

15
Abr
07

Eficiência de combustão…

Hoje deu-me para falar em coisas destas…
O post anterior fez-me lembrar que há algumas coisas que não compreendo sobre a indústria automóvel.

O gasóleo é mais poluente que a gasolina, cerca de 15% (segundo wikipedia), mas gasta-se menos a produzir e, normalmente a eficiência de consumo dos carros com este tipo de combustão é muito menor.
Normalmente a carga fiscal, Portugal incluído, é maior sobre os veículos a Diesel.

Porquê que os grandes construtores não apostam nos desenvolvimentos dos motores a gasolina, em vez de continuarem “sempre a bater na mesma tecla”…
Hoje em dia temos motores a gasóleo muito evoluídos, potentes, com baixas emissões de poluentes (normalmente inferiores aos equivalentes a gasolina) em vez de termos o mesmo, mas em gasolina.
Se compararmos, por exemplo, um Toyota Auris, com motores 1.4 – embora não sejam o melhor exemplo de modernidade, provêem de uma marca que tem sido um exemplo a este nível – a gasolina e diesel, com o modelo híbrido de referência do mercado – o Prius – da mesma marca obtemos as seguintes características (tabela e comparações editada por mim, com dados da Toyota).
toyota_consumo

Nas colunas de comparação podemos observar que o Prius é mais eficiente que ambos os Auris com motores a gasolina e diesel, mas demonstra quase sempre mais do dobro de eficiência em relação ao carro a gasolina do que em relação ao diesel.

Ora, se os carros diesel já são tão mais eficientes que os a gasolina – quase tanto como um híbrido – o combustível é (ainda) mais barato, a longevidade esperada é maior, e o valor de revenda também já se perecebe porque em Portugal e na Europa quase só se vendem carros a diesel. O que também explica tanto investimento das marcas nos motores diesel, porque a indústria apenas está a responder ao mercado.
Há carros a gasóleo que gastam 3l/100Km e um Prius, que não utiliza sempre motor de combustão, gasta 4,3…

Mas se a gasolina é menos poluente e os motores a gasolina fossem tão eficientes como os que têm combustão a diesel, um híbrido a gasolina teria uma eficiência energética muitíssimo melhor.

Continuo a ser um aficionado da gasolina porque dá sensações diferentes…
No entanto, temos dois carros em casa e são ambos… a gasóleo.

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15
Abr
07

Eco-competição…

Eu gosto de carros.
Eu gosto de competição motorizada.
Eu gosto da natureza.
Eu gosto do ar que respiro.
E acho que tudo isso tem que ter o seu lugar…

cayene_in_nature
Foto: www.bestqualitywallpapers.com

Penso que, quando assistimos aos ralis, ou a qualquer forma de desporto motorizado, poucas vezes nos lembramos do quanto estamos a “ferir” o ambiente…
Se não vejamos que – para dar o exemplo extremo – na Fórmula 1 (segundo o wikipedia) gastam-se 75 litros de combustível (fósseis) para cumprir 100Km (segundo a mesma fonte, ainda assim a transformação de consumo em potência é 20% mais eficaz do que nos automóveis normais), o que é uma heresia, quando hoje em dia, um automóvel a gasolina que gaste 7,5 litros por cada 100km (10 vezes menos, portanto) não é o melhor exemplo de economia de combustível.
Mas não se trata apenas do consumo dos combustíveis mas também da emissão de gases para a atmosfera, dos materiais utilizados nos motores, chassis, carroçarias e pneus e não só na F1, mas na maioria, se não em todos, os desportos motorizados.

A indústria automóvel começa a mostrar que a consciência ecológica deve imperar, mas continuamos sem ter investimento pleno nessa área. É verdade que há alguns projectos de célula de combustível e tecnologias híbridas, mas há ainda marcas que não investem aí porque não sentem uma verdadeira necessidade premente, porque ainda temos reservas de combustíveis fósseis.
No entanto, já há algum tempo que acredito que isso se deve a pressões políticas ou de lobbies alimentados pelos produtores de petróleo e que quando estes combustíveis acabarem ou estiverem na eminência de isso acontecer, haverá rapidamente soluções para que todos os nossos “actuais” carrinhos andem de outro modo (seja ele qual for).

Sendo os desportos motorizados o berço da investigação e desenvolvimento de várias áreas do mundo automóvel parece-me imperativo que a consciência ecológica também chegue à competição, antes que seja imposta por lei (porque será concerteza, uma vez que em determinado ponto, ninguém no planeta, se poderá dar ao Luxo de queimar, literalmente, os últimos recursos). Como essa imposição ainda deve estar longe, algumas indicações deverão ser tomadas como positivas, como o anuncio, pela Federação Internacional Automóvel e a organização do WTCC (world touring car championship) da utilização, experimentalmente já em 2008 e mandatoriamente em 2009, de bio-combustíveis de matérias orgânicas.
E isto é uma boa notícia por várias razões. “Salvam o planeta” e ainda por cima, aumentam a competitividade uma vez que estes combustíveis aplicados em carros de combustão normal (o WTCC utiliza carros de certo modo bastante próximo dos carros de série) com poucas alterações ou em alguns casos, nenhumas.
O programa Fith Gear há uns tempos fez um teste a um Lotus Exige com um combustível deste tipo, e que cena… se eu já gostava do carro, então assim…


http://www.youtube.com/watch?v=kBzmmO-3Cdo

Os combustíveis serão, inicialmente, mais caros, menos acessíveis, mas a verdade é que já se sabe que os desportos motorizados não são para quem quer, são para quem pode, portanto, a curto prazo, a sua utilização na maioria dos campeonatos motorizados poderia ser um passo para a reconciliação da adrenalina motorizada com o nosso planeta.

Mas há outros passos a dar e bons exemplos a seguir, como este aqui.

Foto: Carscoop.blogspot.com

Se há uns estudantes que fazem um veículo que consegue atingir 240Km/h feito quase integralmente de materiais bio degradáveis e utiliza lubrificantes e combustíveis não fósseis, o que não conseguiriam fazer os grandes construtores com muito maiores recursos…
Acredito que lá chegaremos e que, por isso mesmo, teremos em perfeito equilíbrio o desporto motorizado e a natureza em redor que todos nós valorizamos!

15
Abr
07

Fernando Peres 2007

Esperei o início do campeonato dos Açores para reflectir um pouco sobre o seu rendimento este ano…
Mas, como o “colega” do “lado” refere, “Tornou-se desconcertante esperar por uma boa exibição do Fernando Peres“.

peres
Foto: www.perescompeticoes.com

Entre ontem e hoje, ao ler o artigo do sportmotores.com percebi que teve problemas com o carro (curiosamente o mesmo que o Bernardo Sousa tem usado, com pouco rendimento – do carro – no nacional de ralis), mas a verdade é que mesmo os problemas mecânicos começam a ser redundantes (à equipa, inclusivé). Apesar disso, fez uma excelente recuperação – onde o identificamos como sempre foi.
Esperei pelo início do campeonato dos Açores porque é aqui que, nos últimos tempos, temos visto Fernando Peres a se “curar” de alguns fantasmas.
Parafraseando, mais uma vez (porque sinto o mesmo), “Custa vê-lo misturado no meio do pelotão como que se de um piloto vulgar se tratasse“, e por isso mesmo. Porque quem liga a isto, sabe quão bom é este piloto que não tem que provar nada a ninguém.

Ainda assim, acredito que a equipa vai tentar recapitular o que se tem passado para evitar que volte a acontecer no futuro e que o (grande!) piloto volte a se enquadrar onde deve estar, na frente dos campeonatos que trava, dando a visibilidade necessária e merecida aos patrocinadores que o acompanham há já algum tempo.