Agora num carro de uma gama superior, voltei a ter uma experiência em aluguer de um automóvel, desta vez um Mazda 3.

Desde já algum tempo que os Mazda me agradam em termos estéticos, quer o 3, o 6 como especialmente o RX-8, o ex-libris da marca, com o inédito motor wankel. Esta versão do 3, hatchback, não é a que gosto mais, mas confesso que compreendo as vantagens, aliás, tive que reconhecer a primeira virtude deste carro logo no primeiro dia – o espaço – quer no interior, quer na bagageira (quer no tamanho do carro… que já não foi propriamente uma virtude).
Equipado com um motor 1.4 (1349 cc na verdade) a gasolina com 84 cv não poderia deslumbrar, mas nota-se que, apesar de pouco binário e potência o motor está muito bem trabalhado nos baixos regimes, já que evolui sem hesitações em qualquer velocidade a baixas rotações, sendo que essa também talvez seja a sua pior característica, já que depois das 3500rpm não acontece praticamente nada, em nenhuma velocidade, dando mesma a – falsa – sensação de que tem uma caixa muito curta (Tenho a ligeira sensação de que este carro na Madeira não se daria bem). Sendo assim, este é um carro para conduzir em ritmo de passeio, ou de família, que é quando também a suspensão com uma regulação “hiper-conforto” é perfeita, pois passa sem remorsos, nem repercussões na habitabilidade, por cima de qualquer lomba (e são muitas em Lisboa, onde andei) ou buraco. O problema é que isso também se traduz num efeito “colchão de água” a velocidades mais altas (mesmo abaixo dos 120 em alguns sítios se sente) e note-se que, num carro com cerca de 39000Km não creio que se poderia tratar de suspensões “cansadas”…
Já no “modo de conduzir sozinho” o Mazda tem uma direcção muito precisa, com o “peso” ideal e revela a qualidade do chassis com ADN do grupo Ford (a nível de condução os Focus tem qualidades irrepreensíveis e reconhecidas que também já experimentei.
até o Fiesta da versão anterior me espantou), ao ter uma atitude muito incisiva, mas é muito limitada pelo conjunto que faz a ligação ao solo. A suspensão confortável torna-se num perigo nas lombas em alta velocidade (especialmente quando acompanhadas de curva), é demasiado “tail-happy” para o meu gosto por ser demasiado sensível às transferências de massas, mesmo sem precisar de fazer muitos exageros e há muitas perdas de motricidade causadas tanto pela suspensão, como pelos terríveis pneus Yokohama ASpec (sim, dei-me ao trabalho de ver o modelo… pois é mesmo mau) que
faziam com que nem parecesse que eram na mesma medida que tenho no Corolla e que se são maus em seco, em molhado não permitem brincadeiras ou distracções de qualquer espécie.
Creio que os designers da marca, apesar de excelentes alunos, pois acho que o carro está muito apelativo e os interiores estão também interessantes, devem ter perdido algumas aulas de ergonomia uma vez que apesar de se encontrar facilmente uma boa posição de condução, pois há várias regulações para esse efeito e os bancos segurarem muito bem o corpo (já deviam saber que a pessoa ia andar de um lado para o outro nas rotundas onde se entrasse de forma mais decidida…) esses não são muito confortáveis, pois são muito duros e o material é muito sintético.
Mas não só por isso… para esses criativos, porventura grandes apreciadores de fast-food, é mais importante agarrar o copo de coca-cola que se adquiriu no drive-in do que conseguir puxar o travão de mão que está “quase junto à porta” do passageiro. E eu que me considero uma pessoa de estatura normal (1,78m) passava a vida a abrir o vidro de trás em vez do do condutor. Fiz tantas vezes isso que cheguei à conclusão que não pode ser fruto apenas da minha distracção… os comandos dos vidros tinham mesmo
que estar um pouco mais para trás! Mas pensando melhor, talvez isso seja a pensar no mesmo tipo que tem os braços tão compridos que “descanso para o cotovelo” entre os bancos dianteiros, realmente serve de alguma coisa, pois está enterrado lá no fundo.
O funcionamento rádio e comandos na consola central também não é do mais intuitivo que existe, mas reconheço que isso é só até se perceber. No entanto, há um pormenor interessante. Os comandos do volante estão localizados no mesmo sítio que os do Micra que adorei, mas não estão – de longe – tão funcionais nem tão bem posicionados.
Resumindo, de um modo geral até gostei do carro, apesar de que com este motor está claramente submotorizado e com médias de 8,5 não é também um exemplo de economia, no entanto, se a suspensão tiver esta afinação com outros motores (o MPS de certeza que não), nomeadamente o 1.6 diesel de 110cv, penso que pode ser mesmo perigoso.
Interessante foi constatar que, apesar da diferença de idade, e salvaguardadas as diferenças de quilometragem e estado, entre este e o meu recém-adquirido Toyota Corolla, não tinha dúvidas em escolher o mesmo, pois parece-me que apenas perde um pouco pelo espaço (o que, para quem liga ou precisa disso como eu, não é de desprezar) e apesar de ter um chassis aparentemente menos eficaz, é muitíssimo competente
a colocar a potência (que também é maior) no chão e a andar.